Crônicas de uma vida ordinária

 

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Desde a mais tenra idade somos fadados a acreditar que a vida é bela, que para tudo se dá um jeito,que as pessoas são boas e que sempre tem algo bom esperando por nós. Temos que ser perfeccionistas em tudo que fazemos, vitoriosos e sempre demonstrar muita, muita felicidade. Assim somos invejados pelos vizinhos, admirados pela sociedade e os mais comentados nas redes sociais. Falando nisso, eita lugarzinho de pessoas felizes, de bem com a vida e magnânimas este Facebook. As vezes me pergunto o que uma pessoa tão atrapalhada, errada e ordinária feito eu, faz  lá. Afinal, serei eu a única pessoa imperfeita na face da terra? Sim , porque eu não consigo ter esta felicidade gritante e esta serenidade versus sabedoria que alguns postam lá. Devo ser muito “da  ruim” mesmo.

Gosto no entanto de analisar as pessoas. Já escutei debates  de que impelidos a tanta exposição, muitos  se obrigam a participar para não ficar de fora. Ou seja, vai se a uma festa já pensando na foto para o “Face”, a viagem é para o quinto dos lugares onde não podemos dizer o nome ( não é de bom tom, fomos ensinados assim), mas é legal registrar os momentos, afinal seu amigo cidadão do mundo não se cansa de demarcar o território por onde passa. Posso não ter nenhuma ideologia política mas tenho que me posicionar em relação a alguma coisa, não posso ficar em cima do muro. Tenho que gritar que ninguém faz nada, que as pessoas são acomodadas e cordatas. Ou, fico quietinho, na minha, vendo os outros se  gladiarem, me achando “o esperto”, pois o meu jeito morno e inerte passará despercebido para muitos. Só não posso sair do convencional no qual estou inserido.

Tudo isto me lembra muito o filme “Beleza americana”. Acho que as pessoas vivem um momento tal de aprisionamento e  solidão que tentam encobrir ao máximo suas vidas obscuras com uma beleza improvisada aos tropeços. Somos uma sociedade que vive de aparências e isto não está só na internet. Ela é só o reflexo de nossas vidas reais. É assim em nossas famílias, trabalhos e escolas.  Somos obrigados a mostrar uma alegria que não temos e uma riqueza que nos falta. Ademais, precisamos estar sempre de bom humor e de bem com a vida pois isto é o que se espera de pessoas iluminadas. As vezes acho que minha visão realista da vida transmite um pessimismo e um mau humor que não é de todo meu. Tenho um pouquinho de ambos mas é só por causa desta visão deturpada do coletivo.  Pois como diria Lester Burnham, personagem principal do filme antes citado: ”é difícil ficar bravo quando há tanta beleza no mundo “. Não é mesmo?

Foto Google.

Tempo de luta

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Para tudo na vida há um tempo. Já diz uma passagem da bíblia que gosto muito. Não que eu tenha  grande interesse nela, me perdoem os crédulos. Mas este trecho que vim a conhecer em uma música ( Turn, Turn, Turn- The Byrds) foi retirado do livro de Eclesiastes ( 3: 1-8) :

Para tudo há um momento, e tempo para cada coisa sob o céu:

Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir;

Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar;

Tempo de atirar pedras e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar e tempo de evitar o abraço;

Tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora;

Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar;

Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

Ou mais ou menos isto, pela net afora , há várias versões. Não sou religiosa, não sigo nenhuma seita, mas tenho minha espiritualidade, deixando bem claro a minha falta de interesse como falei acima. Existem passagens lindas como esta citada e na música ficou mais bela ainda, assistam o vídeo indicado ao final.  Acredito, porém,  que as traduções se perderam ao longo dos séculos e as interpretações forjadas me causaram uma preguiça gigante em querer discutir o evangelho aqui. Pulemos esta parte então. O que quero frisar é que estes versos vem bem a calhar com a situação que vivemos em nosso país atualmente.  Empresto eles um pouquinho para enfeitar este texto pois política também não é o meu forte,  mas como brasileira que sou não poderia deixar passar em branco este momento histórico em que vivemos.

Eu nunca fui uma nacionalista nata destas de venerar carnaval, futebol e tradições afins. Mas meu coração se enche de orgulho do nosso povo que está indo para as ruas brigar pelo nem sabem o quê como dizem muitos. Existe um descontentamento no ar e talvez não haja foco como dizem outros visto tanto os problemas que assolam nosso país. Mas o povo está indo para a rua, tirando a bunda do sofá, saindo da frente da TV e do computador como sempre foram acusados, e  indo reclamar, pedir, bradar.  Graças a este grito, estamos sendo ouvidos. Ontem foi derrubada pela câmara dos deputados a PEC 37 , que nem vou me estender aqui em explicar o que é, de tão carecas que estamos em  ouvir falar nela nos últimos dias, mas como quem escreve também tem a obrigação em informar, vai lá:   a proposta de emenda constitucional que tirava poderes de investigação do Ministério Público. Não é uma vitória? Só o fato de fazermos os deputados trabalharem madrugada adentro já é motivo de feriado nacional.  Brincadeiras a parte, isto é muito, muito bom. É sensacional. Eu mesma, estou em êxtase. Parece que  enfim entendemos que somos mais fortes, isto eu nunca tive dúvida, mas somado à voz do povo, juntos, ganhamos confiança, auto estima elevada e o principal: orgulho de nós como nação.

Tempo de guerra e tempo de paz.  Destoando  um pouquinho do trecho , vivemos dois tempos simultâneos. Tempo de guerrear pelos nossos direitos, pelo nosso futuro e gerações vindouras, mas pacificamente como pede a grande maioria. Repudio os atos de vandalismo, totalmente primitivos e desnecessários. A nossa voz é a arma mais forte e formando um imenso coral então, ela é imbatível.

http://www.youtube.com/watch?v=iUT4QpHcWGI

Foto Google.

Starring…

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  Pronto para começar? Me pergunta o blog.  Prontíssima!  Deveria me apresentar caso quem por aqui esteja tenha desinteressado-se do perfil?  Ora pois, sou eu uma pós, pós, pós balzaca  e agora que aqui escrevo isto, parece que me vem a tona o que isto realmente representa: muitos e muitos anos de caminhada e nem todo o juízo do mundo que sempre pensei que alcançaria quando tivesse esta idade, conquistado. Mas isto é assunto para depois. Mal de quem gosta de escrever, creio eu. Nem bem  um assunto é explanado e outros mil já dançam a Macarena na sua cabeça. Voltando então, este blog é de uma quarentona que chegou em um ponto da sua vida e se perguntou a si mesma: – Mim mesma, e agora?

  Então é isto. Um ponto de partida. Ou seria aqui a linha de chegada e estou voltando? Não sei. Só sei que preciso de um cantinho para aqui ficar, desabafar e de quebra talvez ajudar alguém que por aqui passar. Dia destes fiz um teste que me caiu ao colo. Não tratava-se de   teste vocacional e nem vou dizer que sou muito velha para isto pois faço parte do time de humanos que ainda não se encontrou na vida. Era algo semelhante, um teste para descobrir realmente o que se gosta de fazer na vida. Como se eu não o soubesse. Resolvi fazer parte da brincadeira e respondi as questões solicitadas. Claro que deu que entre viajar, escutar músicas, cinema e cogitar a paz mundial no resto do tempo, a maior das minhas aptidões é escrever. 

Por conta disto e por outras mais, entre elas, esta fase inquietante de minha vida é que resolvi colocar em prática o resultado do teste não tão bobo assim: escrever para me ajudar. Escrever para ajudar alguém. Escrever para mudar um pouquinho do mundo. Pois se alguém se perder por aqui, uma alminha só que seja e sentir-se bem eu já estarei satisfeita arrotando ares assim de missão quase cumprida. É pouco eu sei. Mas penso que cada um deveria contribuir com o que tem de bom. Acho que esta é minha forma.

Me desejem sorte?

 

 

Foto Google.