O vizinho e sua grama

Como boa aspirante a filosofa e psicologa de botequim, me peguei a pensar na vida. Dos outros. Aquele negócio do gramado do vizinho ser mais verde, sabe? Mas para quantas outras pessoas é o nosso gramadinho mesmo que é tão cobiçado, já pensaram nisto? Enquanto estamos ali suspirando pelo que não temos , outros já estariam contente com aquilo que não nos basta. E quem garante que aquilo que vejo da minha janela faz o outro feliz, ou  o sorriso que eu ostento é verdadeiro para ser aspiração de alguém?  

Isto tudo me veio a tona porque me deparei com algumas situações ao meu redor. Pessoas que parecem , demonstram,  ter uma vida tão perfeita que acho até que acreditam nisto mesmo, vivem esta realidade distorcida e passam maus bocados para não sair da “zona de conforto” em que vivem. Falo entre aspas pois trata-se de algo totalmente surreal, viver uma vida infeliz em troca de aparências. Uma relação fracassada, um emprego sufocante, uma frustração escondida. A vida é tão curta para apenas sobreviver. O medo faz coisas mesmo. As vezes é mais confortável acatar a vida como bem anda em troca da aceitação dos outros ou pelo pavor do desconhecido, do que tentar buscar uma saída.  As pessoas deveriam ser proibidas de fazer as coisas por obrigações, regras ou convenções. Tenho horror a estas , diga-se de passagem. Nunca quis casar de véu, grinalda e cristaleira. Nunca quis ter baile de debutante ou formatura. Não gosto nem sequer de comemorar aniversários. Respeito a todos que curtem e fazem disto o sonho de suas vidas. Sou a maior incentivadora de sonhos. Mas aqueles que vem da alma, da mais profunda pureza. Melhor: os que vem da infância mesmo. Citei estes exemplos pois na maior parte das vezes são apenas  convenções para agradar a alguém ou a um todo. A sociedade assim deseja. As pessoas gastam um dinheiro que não tem para aprovação, ostentação e sei lá que mais ão. Seguem com um casamento desgastante para não desagradar alguém, aí já vem o oposto, olha o tamanho da loucura.  Continuam em um emprego medíocre para pagar as contas no final do mês. Não estou dizendo para todo mundo largar tudo e ir viver de luz , mas é preciso pensar até onde vale a pena se auto escravizar. As vezes uma vida mais simples, sem luxos e pompas, trará mais liberdade e mesmo que contraditório, mais conforto.

 Por isto, não olho mais para a grama do vizinho A grama dele pode ser sintética. O seu castelo de aparências. Prefiro ficar com minha casinha de palha. Ela também engana, viu? Você pode, soprar, soprar, soprar e ela não cair.

 

  Imagem

Foto Google.

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