De Sextas treze e Ramones

Hoje sexta feira 13, o top ranking das redes sociais e blogs, sem dúvida é a lista dos filmes de terror mais assistidos nos últimos tempos. Não serei eu mais uma a colocar minha lista aqui. Não que me  falte vontade, visto que este tema me fascina desde a mais tenra infância. Pensa em uma garotinha  de seus dez, onze anos ( certo, agora use de sua boa vontade e pense de uma maneira inocente, já que as garotinhas  da atualidade só faltam emancipar-se e sair de casa com esta idade). Eu era a típica garota interiorana que ruborizava a um olhar mais insistente e gostava de colocar cartazes na porta do quarto “Gênio estudando” para não ser perturbada. Tão doce e delicada. Falava mais com a cabeça e o pescoço verticalizando sins e horizontalizando nãos. Existirão estes verbos? Perdoem meu modo “ministro Magri “de ser, bem que a comparação fica somente aos neologismos, não associem ao lado político, de forma alguma.

 Voltando a garotinha, quem a via, tão angelical com seus cabelos claros e olhos verdes azulados ( ou seria azuis esverdeados ,até hoje carrego a dúvida) , não imaginaria que aquela criaturinha  símbolo de candura trazia consigo uma apetência para histórias assombrosas e o mundo literário e cinematográfico do horror.  Lembro que por esta época andava eu com um exemplar tomado de empréstimo de uma amiga ( prova cabal de que  os semelhantes se atraem e não os opostos) do Cemitério Maldito , de Stephen King, que é meu autor preferido neste gênero até hoje. Fazia mil peripécias para escondê-lo de minha mãe, não que ela fosse diferenciá-lo de um Virgílio e não quero com isto desfazer aqui  da pobre mas é que minha mãe, da arte escrita fazia uso tão somente e eventualmente da bíblia sagrada. Leia-se por eventualmente: domingos , feriados e noites de tormenta. Assim, carregava comigo esta obra como quem carrega um grande tesouro. Me comparava a Clarice Lispector com o seu  Reinações de Narizinho em  Felicidade Clandestina, só que o meu amante no caso era um garotinho enterrado em um cemitério  indígena que voltava  para aterrorizar seus sepultadores e  uma boa parte da minha infância , pelo menos até mais tarde , quando assisti a versão assassinada em filme ( assim como quase todas as obras de King, exceto O Iluminado  e  A espera de um  Milagre, e outras mais que não irei me estender aqui, a maior parte no entanto ficou bem, assim digamos, escrota mesmo).

 A verdade é que o gosto por este gênero acompanhou-me  a vida inteira e hoje veio a tona pelo dia em si. Não que tenha um lado negativo, nem o dia nem o gosto, pelo contrário, sou amante das grandes obras, não é qualquer filme trash de quinta que me atrai e o número treze para mim é um número de sorte, em uma sexta então, vejo pelo lado bom e não pelo lado de …toc..toc…azar.  Não poderia deixar passar esta data sem um post básico que acabou virando um grande  texto…quando dei a entender  que o tema me fascinava não estava brincando. O mais engraçado é que está o maior nevoeiro lá fora, interrompi o texto para descer com meus filhos caninos há pouco e não pude deixar de estremecer um pouquinho ao constatar que não conseguia enxergar nada ao meu redor tamanho a névoa que me envolvia.  Inspirador não? Se gostarão deste texto ou não eu nem sei mas …Stephen King com certeza curtiria. Um bom finalzinho de sexta feira para todos! 

http://www.youtube.com/watch?v=F3J0iwwsq-w