Precisamos falar sobre Kevin

Existem filmes que somos obrigados a assistir uma segunda vez para confirmarmos aquela primeira  impressão de : “- Uau, é isto mesmo? Este filme é realmente tudo isto?”  O premiado ” Precisamos falar sobre Kevin ( We need talk about Kevin) , de 2011,  o é.

Adaptado do livro homônimo de Lionel Shriver ( que ainda quero ler) e dirigido pela até então não tão conhecida escocesa Lynne Ramsay , é impossível sair ileso de uma chacoalhada de sentimentos após o término do filme.  Preza pela beleza estética, excelente atuação de Tilda Swinton ( não a toa que ganhou o oscar como melhor atriz) e demais elenco. O filme é carregado de mensagens subliminares, intensamente focado nas cores vermelho ( maior intensidade) e volta e meia em amarelo berrante.  Abusando  do recurso Flashback as cenas vem e vão no tempo sem no entanto causar nenhuma desorientação ao expectador, tão envolvido está ele na fotografia que acreditem, é mágica, não consegui desgrudar os olhos da tela em todas as duas vezes com medo de perder algum detalhe importante. Já perceberam como agem as criancinhas em frente a um vídeo dançante de galinhas cantantes? Elas não piscam. Pois é, o fascínio é o mesmo.

Se você não assistiu o filme, pare a leitura por aqui e faça o favor de ir agora. Uma que sem dúvida, irás adorar.  Outra que não quero ser acusada de propagar “spoilers” e estragar sua diversão , pois é justamente o que pretendo fazer agora: não, não exatamente “spoilar” e sim filosofar, mas com isto posso deixar  escorregar alguma informação essencial para o desfecho da história, e sério, detesto dar uma de boca grande.  Nunca esqueço de uma vez em que estava em uma locadora e escutei a seguinte pérola de um sujeito, dando dica a um amigo: -“Leva este aqui ,o filme é demais. O cara está morto o filme inteiro !” – Não preciso nem falar que ele estava se referindo ao” O Sexto Sentido” e ……….( insira aqui  qualquer expressão que transmita minha cara de enfado).

O tema abordado, é triste admitir, tem estado em evidência nos últimos tempos, tanto aqui no Brasil como em outros países, principalmente nos Estados Unidos de onde é originário este filme.  Sem querer entregar de vez mas já entregando, a história nos faz refletir sobre os grandes psicopatas em geral, de como são visíveis todos os sintomas desde a mais tenra infância e como os pais são sempre tão alheios a isto. O pai de Kevin, apesar de parecer um sujeito do bem e de índole pacífica, não parece notar a tensão crescente entre sua esposa e o menino. Tensão esta que só aumenta com o passar dos anos dificultando a relação entre os dois e tornando- a quase que insustentável.  A mãe nunca conseguiu ocultar a frustração do casamento, da gravidez, de uma vida que a distanciava do que realmente almejava para si.  Sem grandes abalos ou discussões intempestivas a história segue mais a linha do suspense psicológico onde os personagens carregam suas angústias e frustrações sem precisar apelar para ações ou discursos inflamados. Uma cena que fala por si só e que explica bem isto é a da mãe que exaurida pelo constante chorar noite e dia do bebê, ao passar com ele em seu carrinho por uma obra na rua, respira aliviada ao som de uma britadeira que por alguns segundos abafa o som do choro contínuo e estridente . Sem falas, sem grandes encenações. Apenas uma cena onde o rosto da atriz substitui um colóquio que poderia durar horas e talvez não fosse tão eficiente em seu intento.

O filme do início ao fim é assim. Hipnotizador sem nem o sabermos porquê. Ou sabemos: belíssima direção, atuação, fotografia e também enredo. Estou louca para assisti-lo novamente. É destes para ficar na ponta da língua para indicações. Para pais, pseudo pais e psicólogos de plantão. Ou nada disto. Uma coisa pelo menos é certa: realmente precisamos falar mais sobre os Kevins.

Imagem

Foto Google- We Need to Talk About Kevin.

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