Vidraça

Fala-se tanto em inveja, esta danada

Se algo dá errado é porque ó, a inveja não deixou

Menino subiu na firma, opa a inveja não vingou

Não conta do teu casório moça nova

A inveja sobe ao altar

Não adianta se esconder, fugir, ir a Paris

Ela vai onde quer que você vá…  

Eu confesso, tenho inveja somente de uma coisa nessa vida

É de quem sabe limpar vidros com perfeição

Sabe vidraça limpinha, sem risquinhos, nem manchas?

Pode-se olhar o mundo triste 

Através de uma vidraça limpa

E ainda assim ver alegrias

Mas quando a vidraça está maculada

A sujeira do mundo mistura-se as suas nódoas

E não enxerga-se mais nada

Se tem uma coisa nesta vida que eu invejo

É de quem limpa vidros com o coração.

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Foto Google.

Clichê

Eu escrevo coisas que ninguém lê

Eu desenrolo filmes que ninguém vê

E mesmo minha rima pobre

Entremeada em  tom blasé

No fundo é até bom ser assim

Alguém bem esquecível…

Clichê?

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Foto Google.

Digam por aí

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Porque quando ela se for, muitas coisas serão ditas…por favor digam coisas boas? Esqueçam seus dias ruins, seu temperamento impulsivo, seu mau humor de manhã cedo…qual é, todo mundo sabe que é só até o primeiro café.  Lembrem-se somente das coisas boas.  Uma vez ouviu de alguém que nunca a tinha visto não sorrindo. Sério? Achou graça. Depois  lembrou-se que realmente nunca tinham se encontrado pela manhã cedo. Mas se a virem já de sorrisão na cara estampado logo pela manhã, de uma coisa tenham certeza: o café foi bom! Falem de como ela gostava do mar, de cães e de historinhas. Pensava nelas o tempo inteiro, nas historinhas. Digam: quando falávamos com ela, era preciso esperar que ela saísse da historinha em que se encontrava e voltar,voltar …devagarinho….retornar. Gostava de poesia. Mas daquela simplesinha sabe, sem rimas, sem porquês. Poesia com cheiro de mato, infância e doce de goiaba. Ah, ela gostava de música. Da clássica a barulheira.  Do Folk ao progressivo. Do blues ao metal. Assim era ela, toda vertente. Digam que  gostava de filmes e livros assombrosos? Também! Todos tem seus prazeres culposos. O dela era sentir medo. Digam que gostava de corpos pintados, de coisas simples, de almas serenas. Falem  por aí que ela gostava de olhares ternos, que era por eles que reconhecia a bondade nos humanos e a pureza  e perfeição nos animais. Digam que ela gostava de viver apesar de achar que o mundo tinha tristezas demais e isto abatê-la vez em quando. Mas só um pouquinho. Falem, falem, falem o que quiserem na verdade. Ninguém mesmo poderá dizer o que é invenção ou realidade. Mas por favor não esqueçam das tirinhas? Ela adorava tirinhas…

 

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