Da desambiguação da criação

No princípio criou Marck Zuckerberg o Facemash.

E apesar do aparente sucesso, sempre é difícil agradar gregos e troianos, constatou o jovem nerd. Alguns não gostaram do fato de verem suas fotinhos caírem na net. Outros não conseguiam acessar a web para jogar Pac-Man. O Caos. Havia trevas sobre esta face. Zuckerberg admitiu sua caca e retrocedeu sem contudo, render-se.

E disse ele: Este é meu primeiro dia. Tenho mais seis ainda para fazer disto a maior criação do mundo. Depois do próprio, é claro.

E viu Zuckerberg que o seu pensamento era bom. E o batizou de “Por que não pensei nesta idéia legal antes”? E enquanto regozijava-se com seu pensamento, findou-se o dia primeiro.

 

A vida de um estudante americano , no entanto, nem sempre é o glamour mostrado nos filmes da Sessão da tarde. Zuckerberg pediu ajuda para mais três amigos pois temia não dar conta da empreitada e do trabalho de desenvolvimento de um software que tinha que entregar na mesma data. Ainda assim, sempre arcou com os  rumores de que a história não foi bem assim. Paciência. Lembrou-se  dos gregos e troianos uma vez mais e confortou-se com isto. Lá se foi o segundo dia.

 

Precisavam de um espaço seleto. Que reunisse arte, cultura e gostos afins. Além dos bafafás dos corredores. Um lugar para gente elegante, bonita e sincera. Gente esta, encontrada na sua universidade, óbvio. E viu Zuckerberg que isto era bom. Bom uma ova, era divinamente genial. Tão bom , que deixaram mais algumas universidades adentrar. Dormiram faceiros os quatros garotos de Harvard na terceira noite.

 

Quarto dia: entre uma partida e outra de xadrez, pensaram na expansão. Não somente estudantes, mas qualquer pessoa vacinada com um mínimo de massa cinzenta disponível. No Brasil adicionaram uma pitada de dificuldade inicial para afugentar os usuários de uma certa rede azul e…estava apresentado oficialmente o Facebook em terras tupiniquins.

 

A criação ia bem, mas era preciso mais , era preciso bombar. E assim Zuckerberg abriu as portas do infer…abriu as portas para todo mundo. Democratizou. Criou departamentos para todos os gostos.  Criou o departamento dos pseudo-intelectuais. Criou o departamento das lamentações. Criou o departamento das indiretas. Animais perdidos e resgatados? Siga o departamento dos bons e altruístas. Excluídos? Um rolezinho ali no departamento contra homofóbicos, racistas e marginalizados. Não aí, aquele ali com um Feliciano sorridente. É do contra? O departamento anti-PT é mais a frente. Boca mole? Volte quatro casinhas e suba novamente em cima do muro. E foi a tarde e a manhã na departamentalização, o dia quinto.

 

O tempo estava esgotando e era preciso ganhar com a invenção. Um festival de mensagens subliminares disfarçados em propagandas inofensivas foi pingado aos pouquinhos até nem serem mais sequer disfarçados. Acordos assinados. Acertos firmados. Estava consolidado o metro quadrado mais valorizado do mundo. Posso dormir sossegado e amanhã só curtir, pensou Zuckerberg em seu sexto dia, trajando um confortável  pijama azul clarinho.

 

Sétimo dia: muitos dizem ter sido o domingo. Para outros , sábado. Nada. Com certeza era sexta feira pois lembra Zuckerberg muito bem de passar o dia alucinado com as ofertas da  Black Friday, na ocasião. Satisfeito em partes com sua criação não descansa o onipotente neste dia. Preocupado com novas formas de ampliar seu negócio e administrar os vários departamentos criados, que em alguns momentos admite, não foi uma boa ideia. Intriga-se com o departamento das indiretas achando que é alvo da maioria delas. Tem seu nome em citações que não são suas perdendo apenas para uma tal de Clarice Lispector e Friedrich Nietzsche. Não acha que teve seu melhor ângulo captado nos milhares de memes espalhados diariamente. Enlouquece com as imagens de animais dilacerados e pessoas decapitadas que invadem sua página. Sofre o criador. E compartilha seu sofrimento em sua própria timeline por meio de postagens depressivas  representadas em emoctions tristinhos ou mascarado  em textos de autoajuda assinados pelo Dalai lama. Milhares de seus seguidores  incautos  curtem.  Para seu desespero.  

 

Imagem

Foto Google: The Social Network.

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